Cinzas

Cinzas
  • Valor R$ 28,00
  • Sem impostos: R$ 28,00
+
-


“A poesia não se escreve do dia para a noite,/mas somente da noite para o dia”, A [a] poesia que Fernando Maroja Silveira escreve tem o orvalho desse roteiro. Poesia para se ler insone, mas sem angústia. Para acompanhar como notas musicais – de uma sonata, talvez. Também como eco de suas viagens por paragens longínquas e diferentes da sua solar Belém do Pará. E de seus sofrimentos suados na leitura de poetas e filósofos, na ruminação de sonhos, na lavra na pedra léxica e no lavar das mãos em água cristalina. Mas também no apagar do charuto no cinzeiro, objeto constante neste livro, lugar certo para a cinza das horas, a cinza da origem, a cinza que substitui o barro na despedida, na nuvem que se dissipa no céu de turmalinas. Fernando é um poeta à maneira provençal. Seu canto é discursivo e linear como as águas de um rio, que seguem seu caminho, nem sempre para o mar, mas sem nunca voltar. Um curso de seguidos meandros, curtos, súbitos. Quando parece que a lira vai se espichar, como nos longos poemas que vão se desmilinguindo pelo excesso de palavras, ele arremata com uma frase de surpresa, um impacto de fazer refletir ou, quando nada, se tornar fonte de prazer, o prazer da sonoridade bem ritmada, cerzida sem rimas, mas no langor de um verdadeiro poeta, que segue por sua avenidaNevsky [trata-se de um neologismo? Se sim, pôr entre aspas] universal sem que sua ironia apague a brasa do seu charuto imaginário pelas ruas de Havana ou de St. Petersburgo, sem nunca deixar de sentir o perfume das mangueiras de Nossa Senhora de Belém do Grão Pará. Nós, com ele, embalados por seus belos versos, seguimos pelo horizonte sem fronteiras da imaginação. (Texto da orelha, Lúcio Flávio Pinto, jornalista)

Escreva um comentário

Nota: O HTML não é traduzido!
    Ruim           Bom

Produtos relacionados