Histórias verídicas, outras nem tanto

Histórias verídicas, outras nem tanto
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Um livro um livro em que o autor apresenta suas crônicas de forma atraente. Nele, Fortunato Athias contas diversas experiências vividas no exercício da medicina e no seu cotidiano. Uma leitura agradabilíssima e uma lição de vida.

A seguir, o prefácio de Histórias verídicas, outras nem tanto, escrito pelo jornalista Gilberto Dimenstein

"Li e reli várias vezes esse primeiro livro de Fortunato Athias

para encontrar uma definição: crônica, autobiografia, literatura

médica e psicológica, filosofia, sociologia, teologia.

Quem sabe uma prosa poética ou humor.

Desisti de buscar uma definição. Na verdade, não importa. O

que sentimos é maior, muito maior do que os limites impostos por

um estilo ou uma temática.

O que vemos nos textos é uma linha comum – comum e encantadora.

É um olhar que une todos os textos que tratam dos mais diferentes

assuntos: uma conversa ouvida na praia do Mosqueiro, uma

mãe falando do filho travesti no hospital, uma observação sobre

um segurança que arriscou sua vida para salvar uma loja, um hábito

da comunidade marroquina que veio para Belém, a recuperação

da autoestima das mulheres que refizeram o abdome deteriorado.

A chave desse olhar encontra-se numa palavra: empatia.

Em todos os textos, Fortunato, conhecido pelos amigos e familiares

como Tatá, se revela de forma frágil, vulnerável e dramática

em cada um dos personagens. Mas, ao mesmo tempo, fértil, encantador,

poético. Nessa combinação, as dores e delícias da aventura

humana.

Ele vê distante, quase à margem, o mundo das fragilidades e

profundidades humanas. Mas, ao mesmo tempo, está tão perto,

ouvindo, compreendendo. Mas, especialmente, ficando ao lado,

solidário.

Numa era em que tudo é tão rápido – e cada vez mais superficial

–, temos cada vez mais informação. E menos conhecimento. E

menos ainda sapiência. Tudo é fragmentado, veloz, quase sem deixar

rastros. Sofremos de uma obesidade cognitiva: prestamos atenção

em tudo, tamanho é o fluxo de informações. Mas temos dificuldade

de pensar no essencial.

Sem o essencial, somos apenas seres passageiros. Já se disse que

existem dois momentos fundamentais na vida de qualquer indivíduo:

1) o dia em que ele nasce; 2) o dia em que ele descobriu por

que nasceu.

Fortunato não apenas ouve o que é essencial. É solidário. Quer

ajudar. Nem que seja apenas ouvindo, compartilhando esse bem escasso

nos dias de hoje que é a atenção. Ouvir não é apenas respeitar.

Mas amar.

De todos os textos, o mais revelador sobre o autor é quando fala,

com paixão, de sua experimentação, reconhecida no meio acadêmico,

de operações para recuperar o abdome de mulheres. E como essa

mudança aproxima o ser humano – no caso, o médico – da divindade,

capaz de alterar destinos pela força da ciência.

A ciência, porém, está associada à ética, à sua posição diante do

outro, quando optamos se vamos ser algo mais do que carne que se

deteriora. Ou alguém que faz a diferença e fica do tamanho do que

se compartilha.

Para nenhuma profissão a ética é tão vital como para os que

trabalham com saúde, estejam nos hospitais, consultórios, nas empresas

ou nos governos. Isso porque está em suas mãos decidir sobre

o maior bem do ser humano: sua vida.

Todos temos de ter ética. Mas aos médicos cabe o maior peso:

um erro, uma omissão, tudo isso se traduz em vidas a menos.

É isso que trata esse livro: respeito ao ser humano.

Fortunato é um médico fora do hospital; e um poeta dentro do

hospital. Não há, de fato, separação. É apenas um olhar.

É esse olhar encantador e encantado que vocês vão ver em todo

esse livro, que nos faz pensar na importância de pensarmos que

mais importante do que viver – muito mais importante – é descobrir

o que é essencial para nos mantermos vivos, fazendo da existência

uma aventura generosa.

Há uma lição nesses textos: a vida pode ser passageira e frágil.

Mas quem sabe transformar a vida em mais vida para outros cria

fortalezas indestrutíveis ao tempo.

Isso porque sempre ficará vivo na memória. Ninguém melhor

do que um médico para saber disso."

Gilberto Dimenstein

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